“Voltei do segundo show pálida, trêmula, mas mantendo a pose no meu deslumbrante robe azul. Subi no elevador com uns africanos que se entreolhavam, tentando localizar de que tribo são as senhoras que andam de robe de veludo e havaianas, com uma braçada de flores na mão e olheiras que as fazem parecer um urso panda disfarçado de cantora – vestida e com a maquiagem borrada pela ex-mulher do Gerald Thomas. Eu tremia de frio, mas sorri, claro, pros africanos. Tomei um banho quentíssimo, durante longos minutos porque, pra mim, esta é a melhor hora dos shows e porque precisava me aquecer e não conseguia. Um urso panda certamente não se enganaria, mas eu, até então, não tinha me dado conta de que estava ardendo em febre e que um banho pelando não ajudaria muito, sabe que o QI das cantoras”...
Saga Lusa – o relato de uma viagem de Adriana Calcanhotto...
Adriana faz o relato dos dias e noites que passou acordada, doente e num estado próximo do delírio, devido a uma forte gripe e a uma mistura explosiva de medicamentos. A gripe chegou, e quando ela deu conta, a cama era o único remédio. Adriana agarrou-se à escrita para se manter lúcida.
O livro é um registo alucinante, sincero, aberto e desconcertante.
No meio do relato, o que mais impressiona é a capacidade de Adriana manter o bom humor e o espírito irônico. Este livro não dirigido a quem gosta de música mas sim a todos que passaram ou não por uma bed trip e querem saber como é ou se identificar.
Viva a Maré de escrita de Adriana. Uma Maresia de boas energias que precisamos sempre.


Nenhum comentário:
Postar um comentário