Uma maçã, um banco de espera, uma musica no iPod e algumas idéias na cabeça. Não consegui terminar de comer a maçã, mas faltou bem pouco. A música está no repeat. Até gosto da letra, mas a melodia me hipnotiza. Estou sem vontades e sem desejos. Adoro ouvir musica e ler, mas os livros
se afastaram de mim. Não tenho conseguido passar do prefacio ou virar as páginas, as vezes me pego fazendo comparações de outras épocas e o resultado é óbvio, preciso e real. Estou velho ou seria amadurecido? A crise dos 30 ainda não chegou, mas a minha cabeça ferve a cada minuto, segundo, instante. Sempre fui assim. Me atiço ainda com as pessoas com a juventude, com a vontade de crescer. Quero ser dono do meu nariz, da minha alma e dos meus pensamentos.
Escrevo sem motivo, só pela vontade, pelo desejo, pelo apreço de tornar publico e universal meus pensamentos. O individual é sempre mais publico que os segredos. Talvez alguém se identifique com essas palavras. Quero que leiam, reflitam ou rasguem o papel, feche a página do computador. Não importa! No meu papel a minha função foi cumprida. Escrevi me tornei melhor, nem que seja por esse instante. Tente também.
Vai dizer que o nosso amor perdeu o prumo,
Desaguou num rio seco e morreu
Vai tentar fazer comparações com outras relações do teu
Passado, árduo fardo que carrego eu
Vai buscar-me convencer que nada
Pode alterar o rumo dessa estrada
Vai alegar que já fizemos tudo, tudo já foi dito e
Revisto niente muda o fato, acabou
Pega as suas coisas, desarruma as minhas, dá um
Jeito nos cabelos, lava o rosto, num sinal de adeus
Mas nas últimas palavras beija a minha boca
Desesperada agarro sua roupa
Meu amor não vai me convencer que já não me quer
Olha nos meus olhos sou tua mulher
Vem me faz sentir como ninguém mais pôde conseguir
Seu lugar é aqui.
Vai alegar que já fizemos tudo, tudo já foi dito e
Revisto niente muda o fato, acabou
Pega as suas coisas, desarruma as minhas, dá um
Jeito nos cabelos, lava o rosto, num sinal de adeus
Mas nas últimas palavras beija a minha boca
Desesperada agarro sua roupa
Meu amor não vai me convencer que já não me quer
Olha nos meus olhos sou tua mulher
Vem me faz sentir como ninguém mais pôde conseguir
Meu amor não vai me convencer que já não me quer
Olha nos meus olhos sou tua mulher
Vem me faz sentir como ninguém mais pôde conseguir
Seu lugar é aqui
Aqui
Um café doce e quente. Uma camisa velha que me lembra a infância. Muitos sonhos derramados no chão da cozinha. Eu estava inquieto. Estava com o pensamento solitário e vazio. A noite anterior havia sido ótima. De companheirismo, de verdades e realizações. Nossa como me esforcei para ser gentil. Para ter.
Aquela manhã não sai da minha cabeça. As palavras que foram proferidas me machucaram, me feriram, me dilaceraram os sentimentos intactos até tal ponto.
Como sonhos e desejos são jogados pelo vento a um lugar inalcançável? Não consigo mais descrever aquela manhã, só consigo me recordar do beijo negado e do abraço de adeus, do abraço de incerteza, do abraço que desejava ficar.
Não consigo chorar agora. Como tive medo de escrever esse texto. Como pensei que seria difícil. Mas as palavras saem talvez pelo perdão dado nos corações. Talvez por esse que se tornou o nosso melhor companheiro e que se chama tempo.
O ultimo suspiro ainda esta por vir. Esta pra chegar, para culminar. Quando? Não sei responder. Não quero pensar, especular. A aproximação e tênue, porem inquieta. O desconforto é mutuo e a necessidade é impensada, e ao mesmo tempo desmedida e comedida. Sejamos o que quisermos ser. Tempo venha logo. Se és meu companheiro pode me escutar.
Todas as minhas idéias surgem no banheiro, no chuveiro, com a água correndo pelos meus poros e levando a libido, a energia por água abaixo. Por água vão os pensamentos sórdidos, os desejos incompreendidos, os sonhos impossíveis e as vontades mais excusas. A água leva a espuma do shampoo, do sabonete e leva também um pouco de você. Ao mesmo tempo em que ela refaz, ela leva o que você tem de melhor e de pior e ainda leva o que não sabemos ou não queremos. O banheiro é o seu momento de solidão ou seria de redenção? É lá onde somos nós mesmos. Onde nos depilamos, fazemos a barba e onde deixamos o nosso ser sujo, feio. O nosso eu que nem admitimos que fosse eu. É onde somos e deixamos a nossa parte ruim. Agora tem um, porém. Quando abrimos a porta. É de lá onde aparece o nosso novo ser, o nosso novo eu. É de lá que deixamos a nossa abóbora e trazemos a nossa carruagem. As brincadeiras sobre o banheiro são as mais engraçadas e as mais constrangedoras, mas são as mais reais. Reais os sentimentos, as vontades, os belos e os feios. Mas será real o que nos tornamos? Ou será que nos passamos por quem não somos? Acho que essas frases são todas uma grande mentira. Será que é escuso e sujo é esse texto? Não sei, nem sei por que o escrevi. A única certeza que tenho é que as minhas idéias não saem desse livro que é o banheiro. E se não é de lá, de onde elas saem? Acho que nem eu que escrevi o texto quero admitir. O que preciso e estou sendo forcado a admitir é que essas palavras são minhas. Ou serão do banheiro?
Ser gay e ter vontades e desejos, sem medo, sem preconceitos, sem vergonha. Ser gay é ter amor pelos detalhes, pelos gestos, pelas palavras. Ser gay é falar de sexo sem pudores. Ser gay é ser o melhor amigo da mulher. É chegar aonde os homens desejam chegar. Ser gay é falar alto e grita com vontade. É chorar sem se importar com a crítica. É ser forte quando nem se pode ser. Ser gay é se importar com os detalhes, com as cores e com tudo que passa despercebida. Ser gay é usar sapatos coloridos. É se revelar nas roupas, no gosto, no sabor do gesto. Ser gay é gostar de pessoas, é fazê-las rir. É ter senso de humor e fazer da vida, dos dias, das horas sempre um grande momento de prazer e felicidade. Ser gay é ser e simplesmente ser o que tem de ser. Ser gay ou compreendê-los e só quem os tem como amigos, como confidentes, como irmãos. Só esses podem tentar pensar como eles. Ser gay não tem explicação, simplesmente se é. Se você for um deles entenderá o texto, o contexto, o desfecho.
PALAVRAS BASEADAS NO TEXTO DO JORNALISTA E APRESENTADOR PEDRO BIAL SER GAY.
Roubei esse título de uma musica que ouvi no iphone. Pareceu-me um tanto quanto sugestiva, criativa, deliberada. Preciso ser recatado ou escancarado? Quando ouço ou vejo algo ou alguém na rua a minha imaginação é ardente. A minha vontade e o desejo são irreais, porém os pensamentos são pungentes. “Dobro os joelhos quando você me pega, me amassa, me quebra, me usa demais...” essa frase da Isabella Tavianni me deu asas ao desejo, à vontade, a falta de vergonha. Passei a encarnar o meu ser sem pudores. Quero cometer todos os pecados capitais, quero ser o louco possuído pelo desejo, pela libido, pela falta de censura. Não me cobro nada, a única coisa que me interessa é a potência, o calibre que dilacera a minha virgindade, o meu sexo, a minha falta de vontade. O meu estupro. Quero respirar fundo. Quero ser incompreendido por cada um que passe. Não quero ter pudor. Quero o ser humano, o homem, a mulher que existe dentro de você e do seu genital. Quero o líquido viscoso que sai das suas entranhas. Quero me sentir roçar a língua na língua de Luiz de Camões como diria Caetano. Mas nesse caso, quero roçar no sentido literal da palavra. Posso preferir comer Caetano como diria Adriana Calcanhotto: “Quero devorá-lo, degluti-lo, mastigá-lo”. Não sei se suporto terminar essas tão sórdidas linhas. O prazer e o desejo estão tomando conta de mim. Talvez eu vá, mas terei que voltar para continuar, para terminar de expurgar essas tão sujas e ao mesmo tempo desejadas palavras. Quero escrever o que você tem vontade, mas se envergonha. Talvez eu não assine esse texto. Não sei como me enxergarão depois de todas essas frases.Não posso escrever sozinho. Quero alguém que me toque que me possua que me tenha. _Não me venha tolir, assassinar a língua, a saliva, o olfato. As entrelinhas exalam o cheiro e o gosto dilacerado de um sexo ainda não completo. Os gemidos são freqüentes e relevantes. Preciso ainda terminar, mas não consigo. Pausa agora, o orgasmo esta vindo. Onde esta o meu cigarro?
Porque dizem que os gatos são traiçoeiros? Será que quem disse isso um dia já teve um gato?
_Sou apaixonado por gatos. Decidi que precisava de companhia e do amor sincero de algo.
Todos sempre disseram que o cão é o melhor amigo do homem. Mas eu escolhi um gato.
Sequer sabia o que era ter um. Só sabia que queria, que precisava que desejava. E pronto eu tenho um, ou melhor, uma.mPra que um? Também não sei explicar.
Ela esta ao meu lado e parece que o seu olhar de confiança, afeto e segurança me roubou o pensamento, as palavras. Sinto-me amado, desejado. Sei que tem algo a minha espera quando chego a casa. Algo que não é infiel, que não quer nada, que só precisa de carinho.
Na verdade quem precisa de carinho sou eu. E o tenho. Quando chego e ouço um miado, quando estou a trabalhar e tenho ela ao meu lado. Quando ela brinca com os fios da casa. Quando dorme no meu peito, ou quando me rouba o travesseiro em plena madrugada.
Amo gatos, pois são calmos. Amo porque são verdadeiros, porque só falam quando querem, quando gostam. Amo, pois estão ao meu lado. Amo e só os ama quem tem. Até os cachorros da casa querem ela por perto.
Esta é uma quase prosa que será entendida por poucos. Será entendida por quem os têm quem os ama, quem os quer bem. Quem os quer por perto e bem perto. Tão perto que não precisará das palavras e sim dos miados.
Agora está sem luz e o meu coração arde. Arde de vontade de desejo de amor de verdade. Verdade de estar por estar. Não quero o sexo, à masturbação me basta. Quero o meu encaixe, quero o lacre violado. Quero pernas para todos os lados, me envolvendo num gosto de suor que exala do seu corpo. Ainda irei beber o que te escorre pela pele para matar a minha sede. Ao mesmo tempo em que o ardor do sexo, do desejo contido. Quero a ternura que toma conta de mim. Quero a calma, a paz e o desejo não realizado, mas que ainda esta por vir. Esse é um texto novo. Estou escrevendo, pois esta faltando luz aqui. A música toca no laptop ainda com um pouco de bateria. Os gatos estão felizes, pois à noite e deles e sem a luz nada nem ninguém ira incomodá-los. Quanto a mim. Me sobra tempo para pensar mais e mais. Sem a televisão e sem os afazeres as idéias parecem fluir e influírem no meu ser, no meu pensamento, na minha alma. Me perdi no texto. Tomo um gole de água. Tento retomar. Não quero parar de escrever. Quero nesse texto encontrar uma razão para ser, para viver, para me entreter. A cada dia que passa parece que a luz se aproxima e a vontade de reencontrar você parece ser maior e mais concreta. Duvido da minha mente dos meus sentidos e da minha vontade. Para conseguir parar de duvidar. Escrevo e encontro você nas palavras, nas músicas, nas fotos não tiradas e no desejo solitário. Apesar da luz não ter chegado, preciso ir. Preciso retomar os meus pensamentos e prestar atenção nos gatos. Eles estão fazendo a noite mais bela. Acho que com a falta da luz consigo enxergar o céu mais claro, ou seria a minha visão? Não sei responder. Terei que perguntar aos gatos.
(CANTADA POR JARDS E ADRIANA CALCANHOTTO) Quando Você Passa 3, 4 Dias Desaparecida Me Queimo Num Fogo Louco De Paixão Ou Você Faz De Mim Alto Relevo No Seu Coração Ou Não Vou Mais Topar Ficar Deitado Moço Solitário, Poeta Benquisto Até Você Tornar Doente Cansada, Acabada Das Curtições Otárias Quando Você Passa 3, 4 Dias Desaparecida Subo Desço Desço Subo Escadas Apago Acendo A Luz Do Quarto Fecho Abro Janelas Sobre Guanabara Já Não Penso Mais Em Nada Meu Olhar Vara Vasculha A Madrugada Anjo Exterminado Olho O Relógio Iluminado Anúncios Luminosos Luzes Da Cidade Estrelas Do Céu Me Queimo Num Fogo Louco De Paixão Anjo Abatido Planejo Lhe Abandonar Pois Sei Que Você Acaba Sempre Por Tornar Ao Meu Lar Mesmo Porque Não Tem Outro Lugar Onde Parar.
(gosto da voz dissonante do Jards e da doce presença da Adriana além de que é sempre bom ouvir Wally e uma letra madura, ácida e lúcida como ele, ou melhor eles)