sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O divã da Martha ou a moda Martha


"Eu sei que falei em prazer gratuito semanas atrás, e sei o que vc pensa a respeito: nada é gratuito. Mas, por enquanto não consigo contrariar essa forte impressão de que a conta não virá. Se eu sinto alguma culpa, não é pelo o que faço às escondidas, não é culpa por estar me dedicando a uma experiência socialmente reprovável : é culpa por não sentir culpa alguma. Por estar achando tudo condizente com meu grau de exigência em relação ao aproveitamento do meu tempo, condizente com a minha fome, que nunca foi de comida, mas de vivência, só que eu não tenho opção. Acho que é isso. Eu tinha opções, agora não tenho. Não consigo parar esse trem." (Martha Medeiros - Divã)

O livro relata a trajetória de uma mulher que a certa altura da vida sente a necessidade de "falar" sobre suas dúvidas, medos, sofrimentos. Por isso passa a fazer terapia. O terapeuta de nome Lopes, tem poucas participações no texto, pois quase em sua totalidade, ele é narrado por Mercedes.
Merecedes é uma mulher com mais de quarenta anos, casada e com três filhos homens. Ao longo do livro ela passa a rever várias coisas, a questionar seu terapeuta sobre algo que a está incomodando. Ela sempre fora inquieta, questionadora, batalhadora, nunca uma dondoca. É professora e pinta quadros nas horas vagas. Tem em uma amiga de longos anos, uma companhia feminina.
Durante todo livro Martha descreve uma trajetória de vida com questionamentos e soluções. Em meio um texto leve, alegre, descontraido e cheio de altos e baixos a narrativa nos prende até o fim em uma longa ansia de saber o que vai acontecer ou o que será o próximo conflito. Um livro pra ter na estante e para sublinhar algumas frases maravilhosas que podem ser usadas no nosso dia a dia. Palmas para Martha e para Marcedes que dessa vez acho que apesar de não conquistar um homems na sua história me conquistou.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Revolucionary Dream


















Nos anos 50, Frank e April formam um casal feliz. Eles sempre se consideraram especiais e prontos para levar uma vida seguindo deus ideais. Ao se mudarem para uma casa na Revolutionary Road ficam orgulhosos por declarar independência da inércia suburbana que os rodeava. Porém, logo percebem que estão se tornando aquilo que não queriam ser. Frank está em um trabalho que detesta, enquanto April é uma dona de casa infeliz. Decidida a mudar a situação, April propõe que comecem tudo de novo, deixando de lado o conforto da atual casa e recomeçando em Paris. Só que, para executar este plano, eles chegam aos seus extremos. Extremo psicológico, moral, e intelectual.
Apesar de não gostar da tradução, Foi apenas um sonho (Revolutionary Road, 2008), novo filme de Sam Mendes tenho que admitir que ao menos assistir você precisa. O roteiro é adaptado do romance de Richard Yates e tem diálogos ricos e tão verossímeis que fazem o espectador pensar em o que está fazendo de sua própria vida. São quase duas horas de DR. Talvez o filme chateie algumas pessoas. Inclusive acho que casais em crise não devam ver este filme. Mas o texto é preciso, fundamental, perfeito que alterna momentos de grande delicadeza com outros de uma crueldade de dar pena.
As atuações de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet são ótimas. E Sam Mendez faz juz a sua imensa preocupação com a direção dos atores. E se mostra cada vez mais maduro.
Agora eles estão afiados como nunca. Como a história é sobre a relação desgastada de um casal, algo tão familiar a todo mundo, talvez o filme fosse chato se os atores não tivessem atuações acima da média. Confesso que ainda quero ver os outros filmes do Oscar, mas este está na média e merece todas as honras e todas as glórias. Palmas a Sam Mende.