segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Sketchbook Virtual - PARTE 3














O Produto.

“Querer ser entendido é uma forma de arrogância.” (Frase de Bjork / Retirado do Blog do Caetano – http://www.obraemprogresso.com.br/)

Sem frases, sem músicas, sem nada. Pode também ser sem ordem, sem harmonia, sem belo, sem passado como diz Adriana Calcanhotto em sua “Canção por acaso”.
Agora me peguei pensando, e de certa forma fazendo como Caetano. Sem querer copiar e totalmente sem pretenções e intenções vi que tenho colocado a minha “Obra em progresso” ao longo deste blog. Um processo criativo do conceito que tento e quero transformar em...

O que quer que seja a resposta é de todos. Nunca será minha.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A Lapa e a Moda ou a Moda e a Lapa?













“Como extensão do visual do ser humano, a moda desperta e reflete desejos de maneira complexa. E moda inclui mais do que roupa: o vestir é o que as pessoas fazem com seus corpos para manter, gerenciar ou alterar a aparência.”
(Hollander 1993; Polhemus 1996)

Falar de moda é mais difícil do que eu imaginava. Moda é muito mais que uma roupa, moda é o que você faz com o seu corpo, sua atitude, onde você freqüenta, tudo aquilo que a cultura de massa vem mostrar através das propagandas, outdoors; além de ser tudo aquilo que se escolhe para tomar como seu. Como fonte de estudo, resolvi destacar a Lapa, pela sua enorme diversidade. Onde pude encontrar várias tribos, raças e estilos.
Cheguei a Lapa por volta de 22:30 de um sábado, para observar atentamente como a moda se fazia presente em um centro tão diverso e tão irregular. Diverso no sentido de não haver preconceito ou seleção. Na Lapa não é necessário ingresso, couvert, traje específico; o que basta é chegar. E irregular, pois encontrei de tudo e de todos. Uma convergência de tribos, muitas vezes com objetivos diferentes, mas que nesse momento para o meu estudo se tornaram de igual relevância.
O belíssimo conjunto arquitetônico aliado à boemia, malandragem e irreverência, são características históricas da Lapa. O grande ponto de encontro do Malandro e a enorme fonte de inspiração para tantos sambistas e poetas. O lugar se tornou ponto de encontro de pessoas de todas as tribos, idades e credos; a Lapa abriga, em seus diversos bares, os mais variados ritmos, que se adaptam à pluralidade do bairro e convivem em “pacífica harmonia”. A mistura democrática e a efervescência cultural fazem da Lapa, ao longo dos tempos, um espaço de boemia no Rio de Janeiro.
A noite começa tarde. E nesse mesmo lugar eu pude encontrar uma enormidade de pessoas, as quais eu resolvi fazer as três mesmas perguntas: Como você escolhe a sua roupa? Qual loja você compra suas roupas ou assessórios? E por ultimo. O que é moda pra você? Claro que a partir delas surgiram outras, mas as bases foram às mesmas. O que pude reparar foram uma grande diferença de perguntas, mas que basicamente a grande maioria se resumia em: 1 – Eu acordo e coloco a primeira coisa que vejo. 2 – Eu fico pensando desde o dia anterior o que colocar. E quanto as marcas: 1 – eu compro o que me agrada, independente da loja. 2 – Eu só uso a marca “tal” pois ela o corte dela é melhor e cai bem em mim. Quanto à moda: 1 – Moda é atitude, 2 – É você fazer o seu próprio estilo.
Claro que tive outras respostas, mas vou me deter a essas que se tornaram mais relevantes. O que pude perceber no que se usa entre homens e mulheres, heterossexuais e gays, foi que o mundo está padronizado. Todos usam a mesma coisa, claro que com suas exceções. Triton que é uma loja extremamente gay está sendo usada por todos. O jeans e o tênis dos homens são iguais. As batas e sandálias das mulheres parecem se repetir.
Tomando como base o texto de Ricardo Freitas, e mais anteriormente as idéias de Simmel. A moda é uma questão que divide as classes sociais, e ao mesmo tempo se confundem. O que a classe alta consome começa a virar copia para as classes menos favorecidas. E quando essa classe alta começa a perceber ela parte para outra coisa e começa a negar o que ela mesma usou. Muita das vezes perdendo o seu valor de criação, de atitude, de assimilação. Se tornando para a classe alta uma coisa ruim, quando na verdade era pra ser tomada como algo de bom grado, afinal quando eu copio de você é porque eu te admiro e quero ser igual a você. O que não é assimilado na moda.
Claro que tomei como base a grande maioria, que parece se esbarrar e combinar o que usa. Mas não posso negar a grande diferença da moda contemporânea que permite que você use e abuse dos assessórios, cores, tons, nada precisa combinar e que por mais que as tribos sejam identificadas, muitas das vezes se misturam também. Tudo parece ser um grande pastiche. Claro que sem querer ser pessimista.
O que se torna evidente para os pesquisadores e nesse momento para mim é que vivemos na sociedade do consumo. E como o que toma destaque são os setores que estão ligados à mídia e ao comércio. A sociedade capitalista transforma a moda como tantas outras coisas em efêmera. Tudo passa muito rápido nesse vai-vem que muitas coisas se perdem ou que voltam a ser assimiladas sem fazer a referência anterior. E além disso. Vale enfatizar que os corpos pré-fabricados, malhados, com um só objetivo e a magresa também se tornaram objeto, e parte da moda.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O Circo do Cê













Naquele dia parecia que a manhã estava mais florida e o céu ensolarado. O que não é grande novidade no Rio de Janeiro. Juntava-se a beleza e a acidez de alguém que iria ver um dos maiores ídolos.
Os grandes cantores fazem entradas triunfais, esperam a banda estar no palco, abrem cortinas, acendem luzes. Mas ele diferente de todos, ele entra junto com a banda e sequer precisa de cortinas. Mesmo assim a sua presença já traz a enorme excitação da platéia.
Claro que se tornam suspeitas as minhas palavras, pois sou um profundo admirador da sua obra.
Há alguns meses ganhei “Cê” o qual não dei muita importância, porém me obriguei a escutar mais algumas vezes, pois tinha certeza que havia alguma concepção e algo dentro desse áudio que eu ainda iría descobrir. E é claro que com o tempo fui aprendendo e percebendo a adolescência artística de alguém que se renova a cada dia. “Ce” não é um disco pra ser ouvido ligeiramente, nem uma vez só, antes que se diga gostar ou não gostar dele.
É claro que para mim era muito difícil me acostumar com alguém que em 2002 fui ver com uma orquestra no Teatro Municipal, com a regência de Jaques Morelenbaum. E depois de algum tempo está com um trio jovem (Pedro Sá, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado) tocando algo bem próximo de rock.
Depois de algumas audições acabei entrando no cd como disse Paulo Roberto Pires. Um cd sujo, de rock pesado, que se aproxima da sexualidade e da solidão de “Gatas extraordinárias” e mistura com “Deusa urbana”.
Ele é o atual Homem-Bomba como já diz ele próprio e Jorge Mautner no CD “Eu não peço desculpas” de 2002 (Lá vem o homem bomba / que não tem medo algum / Porque daqui a pouco / Vai virar egum).
Naquele dia onde sua estréia iria se realizar no Circo Voador tive inveja e por um instante quis me transformar em mulher só para ter orgasmos múltiplos. Porém me contentei com a porção inferior de ser homem e me diverti odiando a todos e me acendendo no escuro.
Viva ao senhor Caetano Veloso que com mais de 60 anos ainda revoluciona e inova como um adolescente.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Trepando com Ney

“Antigamente eu tinha desejo sexual pela platéia, eu queria trepar com aquela gente toda. Eu olhava e dizia quero.” (Ney Matogrosso / Making Off – DVD Inclassificáveis)

Começo falando do dia em que assisti ao show “Ney Matogrosso Interpreta Cartola”. Fiquei encantado com a interpretação, com a virilidade e com a transformação daquele que hoje é o artista mais camaleão da cultura brasileira.
Logo após o show fui ao camarim. Eufórico e tenso o suficiente pra ver aquele que é um gigante dentro do palco. Lembro que ele apareceu calmo e sereno, de jeans e malha dizendo: “Eu estou mais esgotado do que se tivesse dançado duas horas. Interpretar é entregar a alma.” Sem comentários.
Este ano fui assistir ao show novo, onde Ney volta a estética exuberante e de tom performático. Inclassificáveis, volta as suas origens do rock e do tom ácido e tropicalista de fazer música, ou melhor, como ele mesmo disse: “rock não é estilo musical é uma atitude diante da vida.”
E é essa atitude diante da vida que o nosso “andrógeno” volta ao palco sem medo de ser vaiado, criticado ou ridicularizado.
Há algum tempo atrás, ele próprio disse que após o primeiro show da turnê se questionou confessando na revista Bravo: “Sua puta velha, você está ridículo!” Mas voltou atrás, pois afinal, a casa de shows e a temporada estavam lotados e logo, ele não tinha como mudar de idéia.
Com o figurino impecável de Ocimar Versolato, que esbanja sensualidade e provocação; e cenário de Milton Cunha que oferece dinamismo e identidade a cada música, o camaleão triunfa em uma ato teatral, provocativo, marcante e emocionante.
Para gostar de Ney não basta ouvir ou assistir. É necessário sentir. É o que disse um amigo que por algum momento imaginou o ridículo, mas logo ao sair do show confessou que era o estupendo.
Como diz a frase inicial do Ney, é necessário ser transgressor e sexual. Não há limites de idade para a arte. Após 60 anos em plena forma ele rouba a cena e o desejo de qualquer um.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Sketchbook Virtual - PARTE 2



Tentando criar

“O processo criativo é desordenado. Então, você pode questionar: se não há um conjunto de procedimentos, como uma receita de bolo, que possa seguir. Não há como aprender ou desenvolver tal habilidade. Não pense desta forma, pois todos somos criativos, uns em maior e outros menor grau.” (Mendes, Antônio. 2005 – Revista Espaço Acadêmico)

O processo criativo é algo que precisa de paciência, e determinação. Digo isso pois, criar uma coleção, um catálogo é muito mais do que muitos de nós imaginamos. No meio de todas as idéias; muitas águas, erros e acertos acontecem a cada pensamento, anotação e execução. As vezes, ver um catálogo de loja é muito simples e vazio. Quando era pra ser complexo e necessário.
O pensar é um modo crítico de ver as coisas. Por esses e tantos outros motivos. Para envolver alguém, induzir, remeter é necessário mexer com a gestalt, é necessário criar, errar e elucidar.
Aqui mostro o erro que se transforma ou se transformará em arte. Pelo menos pra mim. Pois moda, cultura, tudo se transforma em arte. Nada é necessário entendimento, a única necessidade é sentimento.
O início, meio e fim se confundem no processo criativo, onde não é necessário ser racional ou coerente. Só precisa ter uma linha de raciocínio e habilidade para sintetizar.
Aqui se inicia ou termina um processo criativo que só será entendido, compreendido ou apenas visto. Então não bloqueie o seu processo criativo, deixe que ele se elucide ao longo dos dias e dos sentidos.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Sketchbook Virtual - PARTE 1

Como para chegar há uma coleção ou marca é necessário criação. Segue uma parte da nossa. O início do nosso Sketchbook virtual. Música e Letra transformada em conceito, marca, tecido e suor.

Circuladô de fulô

Música - Caetano Veloso
Poesia - Haroldo de Campos

circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie
porque eu não posso guiá eviva quem já me deu
circuladô de fulô e ainda quem falta me dá
soando como um shamisen e feito apenas com um arame
tenso um cabo e uma lata velha num fim de festafeira no
pino do sol a pino mas para outros não existia aquela música
não podia porque não podia popular aquela música se não
canta não é popular se não afina não tintina não tarantina e
no entanto puxada na tripa da miséria na tripa tensa da mais
megera miséria física e doendo doendo como um prego
na palma da mão um ferrugem prego cego na
palma espalma da mão coração exposto como um nervo
pretenso um renegro prego cego durando na palma
polpa da mão ao sol
circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie
porque eu não posso guiá eviva quem já me deu
circuladô de fulô e ainda quem falta me dá
o povo é o inventalínguas na malícia da maestria no matreiro
da maravilha no visgo do improviso tenteando a travessia
azeitava o eixo do sol
circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie
porque eu não posso guiá eviva quem já me deu
circuladô de fulô e ainda quem falta me dá
e não peça que eu te guie não peça despeça que eu te guie
desguie que eu te peça promessa que eu te fie me deixe
me esqueça me largue me desamargue que no fim eu acerto que
no fim eu reverto que no fim eu conserto e para o fim me
reservo e se verá que estou certo e se verá que tem jeito e se
verá que está feito que pelo torto fiz direito que quem faz
cesto faz cento se não guio não lamento pois o mestre que
me ensinou já não dá ensinamento
circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie
porque eu não posso guiá e
viva quem já me deu
circuladô de fulô e ainda quem falta me dá

domingo, 3 de agosto de 2008

Novelando um Circuladô


“Mandei plantar / Folhas de sonho no jardim do solar / As folhas sabem procurar pelo sol / E as raízes procurar, procurar” (Caetano Veloso / Panis et circenses – Tropicália)


Como se faz para criar uma marca, um conceito? Na verdade não sei dizer, só sei explicar que a nossa foi mais ou menos assim:
Um dia imaginamos costurar e cortar roupas, começamos a fazer um curso que ensinou pouca coisa, mas que nos colocou inserido na vontade de montar algo.
Depois de algumas aulas acabamos saindo do curso e fomos aprendendo sozinhos errando e acerando.
No curso conhecemos uma senhora que nos pareceu amigável e disposta a ensinar tudo que sabia. A partir daí resolvemos juntar a sabedoria dela com a nossa disposição. Tivemos alguma resistência por conta da nossa família, mas como somos insistentes, montamos um pequeno ateliê. Com a ajuda da nossa amiga e do presente mais que útil e grandioso dos nossos pais (ganhamos máquinas e material para começar), iniciamos a nossa jornada.
Com o passar do tempo fomos descobrindo uma outra pessoa no lugar da nossa amiga, que se mostrou cruel. Como coração de mãe não falha nos demos mal e a mamãe realmente estava certa. Novamente estávamos sem lenço e sem documento.
Mas como somos fortes, corajosos e persistentes demos a volta pro cima e em meio a brigas, desentendimentos e dívidas, criamos a marca “Novelo” que não durou muito tempo; o nome. Acabou logo em seguida se transformando em “Circulado”. Uma homenagem a música “Circulado de Fulo” de Caetano Veloso retirada do poema de Haroldo de Campos.
Com o passar do tempo fomos desperdiçando tecido, linha, errando e acertando até chegar ao dia de hoje, onde estamos criando uma coleção de saias que são produtos nossos e do nosso suor.
Felizes estamos de ter a nossa idéia e a nossa vontade transformada em tecido, linha e modelagem.
Então os convida a entrar no nosso sonho e compartilhar todas essas saias, calças e tantas coisas que ainda virão por aí.


MARCA – Leonardo Mansur e Wellington Araujo
(Adeptos à Cultura de Marte)

sábado, 2 de agosto de 2008

Um jardim teatral


















“A síntese de elementos artísticos faz o espetáculo, e é em função dele que se deve pensar o teatro. Espetáculo teatral e teatro podem ser considerados sinônimos, e se confundem como expressão artística específica” (Magaldi, Sábato. 2004. Iniciação ao Teatro)

As vezes é necessário se confundir o espetáculo teatral e o teatro, pois esta arte que se pode dizer efêmera simplesmente pelo fato de se realizar somente durante a sua duração. Então a partir daí passa a se eternizar o texto e deixar de lado, ou melhor, se esquecer o espetáculo e o ator. Neste caso que assisti Jardim das Cerejeiras de Anton Tchekhov, dispensa falar do texto e cabe falar do espetáculo.
O diretor Moacir Chaves materializa no palco algumas das questões mais importantes de Tchekhov e os personagens se movimentam em um discurso inquieto e material, o cenário é simples composto por diversos tapetes, pedaços de grama e grandes bancos que se transformam, porém somente na nossa imaginação ao longo dois quatro atos.
O Jardim título do espetáculo é a memória afetiva de uma aristocracia ociosa e criados audaciosos. O texto foge do lugar comum e se aproxima da atualidade chegando em alguns momentos tentar se esbarrar em alguma canção atual ou insinuar os anos mais próximos. Além disso, existe uma grande preocupação com atuações que se destacam na presença de Deborah Evelyn, como Liubov, expressiva na evocação de um passado luminoso e sofrido, e o de Leandro Daniel Colombo, ótima presença como Lopakhin. Deborah emociona com o seu choro e com o seu sofrimento e Leonardo convence e se firma ao longo do espetáculo.
Outro detalhe a se destacar é o figurino, que é elegante, bem cortado, modelado e feito sob medida para um texto clássico que une a aristocracia e seus interesses. A cada momento passado, a cada ato, a cada instante o figurino se adéqua cada vez mais há um texto que dispensa comentários.
Confesso que não pude deixar de lembrar que Dogville de Lars Von Trier que se aproxima em momentos como a passagem dos atos e as descrições de cenas como a conversa com o armário que só existe em nossa imaginação.
Mas se o diretor foge do comum ele acerta e cresce assumindo os rascunhos do texto e vence todas as barreiras na cena final, onde um mordomo velho e sem nada senta no banco e se vê esquecido em pelas únicas pessoas que ele achava que tinha. Como ele mesmo diz que não resta, mas nada senão deitar, a nós o mesmo nos resta, sentar e apreciar um texto único para uma direção que foge do comum dentro de uma nostalgia que ainda não tivemos.

Circuladô

Ao Deus ao Demodará









Há alguns meses conheci Wanderlei e Odilon. Dois caras que me contaram uma história fantástica sobre conquista, superação e moda. Confesso que fiquei envolvido com aquela atmosfera e resolvi aderir ao novo projeto profissional deles que acabou não só se tornando um projeto profissional meu, mas também projeto de vida.
Nos juntamos, Eu, Leonardo, Wanderlei e Odilon e resolvemos criar uma confecção, uma marca e um conceito. E este conceito se chama Circuladô.
Agora estamos batalhando este sonho que se tornou nosso. Criar um novo conceito de moda.
Queremos mostrar uma nova forma de ver, interagir e fazer um produto que ultrapasse os caminhos do: primavera, verão, outono, inverno.
Um dia todos conhecerão esses dois caras que fazem parte da moda contemporânea e se tornaram referência. Talvez muitas pessoas não os identifiquem, mas com certeza quem faz moda sabe da sua importância.
Aguardem, pois uma nova tendência esta por vir.

(CULTURA DE MARTE)


Inventando Moda.













“A mídia é um dos maiores articuladores das tendências da moda, não só por meio da publicidade e propaganda, mas também pelas coberturas jornalísticas de grandes eventos esportivos e artísticos”. (Freitas, Ricardo 2005. Estética da Cultura Midiática).

Certa ocasião me peguei tentando imaginar como as tendências surgiam e de onde os estilistas tiravam as idéias para confeccionar uma coleção. Para buscar respostas a essas e outras tantas dúvidas comecei a observar as propagandas, lojas, programas de televisão e vários meios de comunicação. Claro que para entender tudo isso tive que entender que moda não é só o que você usa. Moda é o consumo de objetos e idéias. Mesmo com esse conceito as perguntas ainda surgiam: Onde buscar tendências? De onde vem o estilo?
Para começar a responder essas e outras perguntas cito dois exemplos: Primeiro podemos falar na novela de Gilberto Braga “Paraíso tropical” que estreou com pouco mais de duas semanas e já cria tendências. A personagem Bebel vivida por Camila Pitanga utiliza saias e shorts jeans. Se você sair à rua verá que cada um a sua maneira retira dos seus armários ou coloca em suas vitrines algumas peças do figurino da personagem. Assim como foi com Safira (Cláudia Raia) em Belíssima, e tantas outras. Já o segundo exemplo é de “O Diabo Veste Prada”, onde o caminho percorrido é o oposto. No longa-metragem as personagens pegam as tendências das passarelas e dos sonhos de muitas mulheres e montam um figurino de milhões de dólares.
Cabe destacar que o mais importante do filme não é o milhão de dólares, mas sim a influência que a moda cria. Andréa (a secretária de Miranda) utiliza roupas fora de moda, e para impressionar sua chefa passa a se vestir à altura de uma modelo. As roupas que sequer a impressionavam passam a causar fascínio. E neste momento, a secretária se adapta ao que veste, se tornando até um pouco mais mulher. Mas moda de verdade é a sua atitude perante a sociedade. Criar tendências é observar, observar e observar.
Muitos estilistas captam idéias dos meios de comunicação de massa e transcrevem para suas peças de roupa. A partir deste momento você veste alguma grife, com seu estilo pessoal, se encaixando em algum determinado grupo ou tribo e criando sua própria moda. Tudo de acordo com o que você consome em termos de cultura. Os jeans e as camisetas são emblemas de uma noção de liberdade que se confirmou como uma referência de moda na ultima década. É o que Baudrillard (Beaudrillard. Jean 1990 – La transparence du mal) chama de “transexual”. Um gênero que não precisa de sexo e sim de um toque especial para ser seu. Então, já que vivemos numa sociedade capitalista e que necessita do consumo, os estilistas trabalham para captar o que há de mais variado e transformar em roupa ou acessórios. A partir daí, você inventa a sua moda.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

A Cultura de Marte













Uma Maria Antonieta quase Contemporânea.


"O consumo começa a se impor como uma exigência teórica que não nasce da fantasia de pesquisadores isolados, e sim do fato de que é um fenômeno chave para compreender a sociedade contemporânea." (Rocha, Everaldo 2005 .“Culpa e prazer: imagens do consumo na cultura de massa”)


O cinema e a moda de mãos dadas.

A livre interpretação de Sophia Copolla para Maria Antonieta que era a rainha do rococó me deixou pensativo ao sair do cinema. Não consegui encontrar um filme de época ou sequer alguma cena previsível. Sophia trouxe o mundo pop de uma adolescente que era manipulada pela mãe, mas que tinha estilo e atitude. A diretora brinca com anacronismos e aborda uma rainha fora do viés político e histórico para mostrar uma visão própria, glamurosa e hedonista.
Claro que desde os créditos iniciais em cores vivas, ou melhor, new wave passando pelo rock dos anos 80 com New Order, Strokes e outros, utilizando de uma linguagem casual e sem impostação até a cena poética do All Star o filme utiliza dos princípios do não-lugar. Vale aqui citar Marc Augé que diz: “Se um lugar pode se definir como identitário, relacional e histórico, um espaço que não pode se definir nem como identitário, nem como relacional, nem como histórico definirá um não-lugar”. Se baseado neste princípio Sophia faz o seu filme se definir fora do lugar.
O filme tem o figurino assinado por Milena Canonero que levou para casa o Oscar na categoria “Melhor Figurino”, o que não foi nenhuma surpresa já que a sua protagonista era nada menos que a rainha que foi uma das maiores influenciadoras do figurino de sua época e virou moda no mundo todo. Alguns fatos importantes a lembrar da popularidade deste ícone da moda são: A primeira personalidade a inspirar-se no estilo da rainha foi Madonna, em 1990, interpretando Maria Antonieta enquanto cantava sua música Vogue. Já no mundo da moda, Galliano fez um desfile para a Dior, em 2005, que tinha a monarca como protagonista. A Louis Vuitton mostrou o romantismo característico de Maria Antonieta em flores naturais e predominância de cores como rosa, azul e amarelo e tantas outras.
É uma rainha pra ninguém colocar defeito. Um vestirei todo meu desfile a lá Antonieta. Espere, será breve.