
“A esta hora os companheiros da caravana já deram com certeza pela falta do ausente, dois deles declararam-se voluntários para voltar atrás e salvar o desditoso náufrago, e isso seria muito de agradecer se não fosse a fama de poltrão que o iria acompanhar para o resto da vida, Imaginem, diria a voz pública, o tipo ali sentado, à espera de que aparecesse alguém a salvá-lo, há gente que não tem vergonha nenhuma.” (Saramago, José – A viagem do Elefante 2008 / Companhia das Letras)
Começou hoje a viagem do elefante. O mesmo seria dizer, de uma forma mais simples mas certamente menos dedicada, que foi hoje que eu comecei a ler “A Viagem do Elefante”, o novo livro de José Saramago. Confesso que, apesar de ainda só ter lido (“O Evangelho Segundo Jesus Cristo” e “Ensaio Sobre a Cegrueira”), sou fã dele e do seu estilo.
Segundo Saramago, este livro poderia não ter sido escrito, tais foram os problemas de saúde que o afetaram, “é uma metáfora da vida humana”. Ele explica: “o elefante que tem de andar milhares de quilómetros para chegar de Lisboa a Viena, morreu um ano depois da chegada e, além de o terem esfolado, cortaram-lhe as patas dianteiras e com elas fizeram uns recipientes para pôr os guarda-chuvas, as bengalas, essas coisas”, referiu. “Quando uma pessoa se põe a pensar no destino do elefante (...) no fundo, é a vida de todos nós. Nós acabamos, morremos, em circunstâncias que são diferentes umas das outras, mas no fundo tudo se resume a isso.”
O livro é um conto português, baseado em pouquíssimos dados, mas promete dar que pensar. Como estou me atendo aos detalhes e grande viagem que parecer ser minha deixo que autor descreva melhor a sua obra: "O livro narra uma viagem de um elefante que estava em Lisboa, e que tinha vindo da Índia, um elefante asiático que foi oferecido pelo nosso rei D. João III ao arquiduque da Áustria Maximiliano II (seu primo). Isto passa-se tudo no século XVI, em 1550. E, portanto, o elefante tem de fazer essa caminhada, desde Lisboa até Viena, é essa viagem."
Então eu estou embarcando nesta viagem, vamos comigo, não deixe o Elefante partir.


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