domingo, 14 de março de 2010

O Livro do banheiro.


















Todas as minhas idéias surgem no banheiro, no chuveiro, com a água correndo pelos meus poros e levando a libido, a energia por água abaixo. Por água vão os pensamentos sórdidos, os desejos incompreendidos, os sonhos impossíveis e as vontades mais excusas.
A água leva a espuma do shampoo, do sabonete e leva também um pouco de você. Ao mesmo tempo em que ela refaz, ela leva o que você tem de melhor e de pior e ainda leva o que não sabemos ou não queremos.
O banheiro é o seu momento de solidão ou seria de redenção? É lá onde somos nós mesmos. Onde nos depilamos, fazemos a barba e onde deixamos o nosso ser sujo, feio. O nosso eu que nem admitimos que fosse eu. É onde somos e deixamos a nossa parte ruim.
Agora tem um, porém. Quando abrimos a porta. É de lá onde aparece o nosso novo ser, o nosso novo eu. É de lá que deixamos a nossa abóbora e trazemos a nossa carruagem.
As brincadeiras sobre o banheiro são as mais engraçadas e as mais constrangedoras, mas são as mais reais. Reais os sentimentos, as vontades, os belos e os feios. Mas será real o que nos tornamos? Ou será que nos passamos por quem não somos?
Acho que essas frases são todas uma grande mentira. Será que é escuso e sujo é esse texto? Não sei, nem sei por que o escrevi.
A única certeza que tenho é que as minhas idéias não saem desse livro que é o banheiro. E se não é de lá, de onde elas saem? Acho que nem eu que escrevi o texto quero admitir.
O que preciso e estou sendo forcado a admitir é que essas palavras são minhas. Ou serão do banheiro?

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