quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O Circo do Cê













Naquele dia parecia que a manhã estava mais florida e o céu ensolarado. O que não é grande novidade no Rio de Janeiro. Juntava-se a beleza e a acidez de alguém que iria ver um dos maiores ídolos.
Os grandes cantores fazem entradas triunfais, esperam a banda estar no palco, abrem cortinas, acendem luzes. Mas ele diferente de todos, ele entra junto com a banda e sequer precisa de cortinas. Mesmo assim a sua presença já traz a enorme excitação da platéia.
Claro que se tornam suspeitas as minhas palavras, pois sou um profundo admirador da sua obra.
Há alguns meses ganhei “Cê” o qual não dei muita importância, porém me obriguei a escutar mais algumas vezes, pois tinha certeza que havia alguma concepção e algo dentro desse áudio que eu ainda iría descobrir. E é claro que com o tempo fui aprendendo e percebendo a adolescência artística de alguém que se renova a cada dia. “Ce” não é um disco pra ser ouvido ligeiramente, nem uma vez só, antes que se diga gostar ou não gostar dele.
É claro que para mim era muito difícil me acostumar com alguém que em 2002 fui ver com uma orquestra no Teatro Municipal, com a regência de Jaques Morelenbaum. E depois de algum tempo está com um trio jovem (Pedro Sá, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado) tocando algo bem próximo de rock.
Depois de algumas audições acabei entrando no cd como disse Paulo Roberto Pires. Um cd sujo, de rock pesado, que se aproxima da sexualidade e da solidão de “Gatas extraordinárias” e mistura com “Deusa urbana”.
Ele é o atual Homem-Bomba como já diz ele próprio e Jorge Mautner no CD “Eu não peço desculpas” de 2002 (Lá vem o homem bomba / que não tem medo algum / Porque daqui a pouco / Vai virar egum).
Naquele dia onde sua estréia iria se realizar no Circo Voador tive inveja e por um instante quis me transformar em mulher só para ter orgasmos múltiplos. Porém me contentei com a porção inferior de ser homem e me diverti odiando a todos e me acendendo no escuro.
Viva ao senhor Caetano Veloso que com mais de 60 anos ainda revoluciona e inova como um adolescente.

Um comentário:

Rafael R. V. Silva. disse...

Eu estava lá no Circo, fui nos dois dias... Maravilhoso!!!

Baca encontrar este seu espaço no mundo virtual, onde todos nós de certa forma colocamos para rolar a nossa eterna obra.

Um forte abraço.