sexta-feira, 1 de agosto de 2008

A Cultura de Marte













Uma Maria Antonieta quase Contemporânea.


"O consumo começa a se impor como uma exigência teórica que não nasce da fantasia de pesquisadores isolados, e sim do fato de que é um fenômeno chave para compreender a sociedade contemporânea." (Rocha, Everaldo 2005 .“Culpa e prazer: imagens do consumo na cultura de massa”)


O cinema e a moda de mãos dadas.

A livre interpretação de Sophia Copolla para Maria Antonieta que era a rainha do rococó me deixou pensativo ao sair do cinema. Não consegui encontrar um filme de época ou sequer alguma cena previsível. Sophia trouxe o mundo pop de uma adolescente que era manipulada pela mãe, mas que tinha estilo e atitude. A diretora brinca com anacronismos e aborda uma rainha fora do viés político e histórico para mostrar uma visão própria, glamurosa e hedonista.
Claro que desde os créditos iniciais em cores vivas, ou melhor, new wave passando pelo rock dos anos 80 com New Order, Strokes e outros, utilizando de uma linguagem casual e sem impostação até a cena poética do All Star o filme utiliza dos princípios do não-lugar. Vale aqui citar Marc Augé que diz: “Se um lugar pode se definir como identitário, relacional e histórico, um espaço que não pode se definir nem como identitário, nem como relacional, nem como histórico definirá um não-lugar”. Se baseado neste princípio Sophia faz o seu filme se definir fora do lugar.
O filme tem o figurino assinado por Milena Canonero que levou para casa o Oscar na categoria “Melhor Figurino”, o que não foi nenhuma surpresa já que a sua protagonista era nada menos que a rainha que foi uma das maiores influenciadoras do figurino de sua época e virou moda no mundo todo. Alguns fatos importantes a lembrar da popularidade deste ícone da moda são: A primeira personalidade a inspirar-se no estilo da rainha foi Madonna, em 1990, interpretando Maria Antonieta enquanto cantava sua música Vogue. Já no mundo da moda, Galliano fez um desfile para a Dior, em 2005, que tinha a monarca como protagonista. A Louis Vuitton mostrou o romantismo característico de Maria Antonieta em flores naturais e predominância de cores como rosa, azul e amarelo e tantas outras.
É uma rainha pra ninguém colocar defeito. Um vestirei todo meu desfile a lá Antonieta. Espere, será breve.

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