
“Como extensão do visual do ser humano, a moda desperta e reflete desejos de maneira complexa. E moda inclui mais do que roupa: o vestir é o que as pessoas fazem com seus corpos para manter, gerenciar ou alterar a aparência.”(Hollander 1993; Polhemus 1996)
Falar de moda é mais difícil do que eu imaginava. Moda é muito mais que uma roupa, moda é o que você faz com o seu corpo, sua atitude, onde você freqüenta, tudo aquilo que a cultura de massa vem mostrar através das propagandas, outdoors; além de ser tudo aquilo que se escolhe para tomar como seu. Como fonte de estudo, resolvi destacar a Lapa, pela sua enorme diversidade. Onde pude encontrar várias tribos, raças e estilos.
Cheguei a Lapa por volta de 22:30 de um sábado, para observar atentamente como a moda se fazia presente em um centro tão diverso e tão irregular. Diverso no sentido de não haver preconceito ou seleção. Na Lapa não é necessário ingresso, couvert, traje específico; o que basta é chegar. E irregular, pois encontrei de tudo e de todos. Uma convergência de tribos, muitas vezes com objetivos diferentes, mas que nesse momento para o meu estudo se tornaram de igual relevância.
O belíssimo conjunto arquitetônico aliado à boemia, malandragem e irreverência, são características históricas da Lapa. O grande ponto de encontro do Malandro e a enorme fonte de inspiração para tantos sambistas e poetas. O lugar se tornou ponto de encontro de pessoas de todas as tribos, idades e credos; a Lapa abriga, em seus diversos bares, os mais variados ritmos, que se adaptam à pluralidade do bairro e convivem em “pacífica harmonia”. A mistura democrática e a efervescência cultural fazem da Lapa, ao longo dos tempos, um espaço de boemia no Rio de Janeiro.
A noite começa tarde. E nesse mesmo lugar eu pude encontrar uma enormidade de pessoas, as quais eu resolvi fazer as três mesmas perguntas: Como você escolhe a sua roupa? Qual loja você compra suas roupas ou assessórios? E por ultimo. O que é moda pra você? Claro que a partir delas surgiram outras, mas as bases foram às mesmas. O que pude reparar foram uma grande diferença de perguntas, mas que basicamente a grande maioria se resumia em: 1 – Eu acordo e coloco a primeira coisa que vejo. 2 – Eu fico pensando desde o dia anterior o que colocar. E quanto as marcas: 1 – eu compro o que me agrada, independente da loja. 2 – Eu só uso a marca “tal” pois ela o corte dela é melhor e cai bem em mim. Quanto à moda: 1 – Moda é atitude, 2 – É você fazer o seu próprio estilo.
Claro que tive outras respostas, mas vou me deter a essas que se tornaram mais relevantes. O que pude perceber no que se usa entre homens e mulheres, heterossexuais e gays, foi que o mundo está padronizado. Todos usam a mesma coisa, claro que com suas exceções. Triton que é uma loja extremamente gay está sendo usada por todos. O jeans e o tênis dos homens são iguais. As batas e sandálias das mulheres parecem se repetir.
Tomando como base o texto de Ricardo Freitas, e mais anteriormente as idéias de Simmel. A moda é uma questão que divide as classes sociais, e ao mesmo tempo se confundem. O que a classe alta consome começa a virar copia para as classes menos favorecidas. E quando essa classe alta começa a perceber ela parte para outra coisa e começa a negar o que ela mesma usou. Muita das vezes perdendo o seu valor de criação, de atitude, de assimilação. Se tornando para a classe alta uma coisa ruim, quando na verdade era pra ser tomada como algo de bom grado, afinal quando eu copio de você é porque eu te admiro e quero ser igual a você. O que não é assimilado na moda.
Claro que tomei como base a grande maioria, que parece se esbarrar e combinar o que usa. Mas não posso negar a grande diferença da moda contemporânea que permite que você use e abuse dos assessórios, cores, tons, nada precisa combinar e que por mais que as tribos sejam identificadas, muitas das vezes se misturam também. Tudo parece ser um grande pastiche. Claro que sem querer ser pessimista.
O que se torna evidente para os pesquisadores e nesse momento para mim é que vivemos na sociedade do consumo. E como o que toma destaque são os setores que estão ligados à mídia e ao comércio. A sociedade capitalista transforma a moda como tantas outras coisas em efêmera. Tudo passa muito rápido nesse vai-vem que muitas coisas se perdem ou que voltam a ser assimiladas sem fazer a referência anterior. E além disso. Vale enfatizar que os corpos pré-fabricados, malhados, com um só objetivo e a magresa também se tornaram objeto, e parte da moda.


Um comentário:
Olha, se me copiam eu fico no mínimo assustado!Rs. Efeito "Mulher Solteira Procura..."... Entendo que a Moda, como qualquer outra Arte hoje em dia, está relacionada a indústria (consumo+produção em série="homogenização" do indivíduo), mas ainda sou um romântico! O que me fascina na Moda é a atitude exclusiva, aquela jaqueta que só vc tem e que só combina com vc... Quero esse estilo pra mim! Rs
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