sábado, 2 de agosto de 2008

Inventando Moda.













“A mídia é um dos maiores articuladores das tendências da moda, não só por meio da publicidade e propaganda, mas também pelas coberturas jornalísticas de grandes eventos esportivos e artísticos”. (Freitas, Ricardo 2005. Estética da Cultura Midiática).

Certa ocasião me peguei tentando imaginar como as tendências surgiam e de onde os estilistas tiravam as idéias para confeccionar uma coleção. Para buscar respostas a essas e outras tantas dúvidas comecei a observar as propagandas, lojas, programas de televisão e vários meios de comunicação. Claro que para entender tudo isso tive que entender que moda não é só o que você usa. Moda é o consumo de objetos e idéias. Mesmo com esse conceito as perguntas ainda surgiam: Onde buscar tendências? De onde vem o estilo?
Para começar a responder essas e outras perguntas cito dois exemplos: Primeiro podemos falar na novela de Gilberto Braga “Paraíso tropical” que estreou com pouco mais de duas semanas e já cria tendências. A personagem Bebel vivida por Camila Pitanga utiliza saias e shorts jeans. Se você sair à rua verá que cada um a sua maneira retira dos seus armários ou coloca em suas vitrines algumas peças do figurino da personagem. Assim como foi com Safira (Cláudia Raia) em Belíssima, e tantas outras. Já o segundo exemplo é de “O Diabo Veste Prada”, onde o caminho percorrido é o oposto. No longa-metragem as personagens pegam as tendências das passarelas e dos sonhos de muitas mulheres e montam um figurino de milhões de dólares.
Cabe destacar que o mais importante do filme não é o milhão de dólares, mas sim a influência que a moda cria. Andréa (a secretária de Miranda) utiliza roupas fora de moda, e para impressionar sua chefa passa a se vestir à altura de uma modelo. As roupas que sequer a impressionavam passam a causar fascínio. E neste momento, a secretária se adapta ao que veste, se tornando até um pouco mais mulher. Mas moda de verdade é a sua atitude perante a sociedade. Criar tendências é observar, observar e observar.
Muitos estilistas captam idéias dos meios de comunicação de massa e transcrevem para suas peças de roupa. A partir deste momento você veste alguma grife, com seu estilo pessoal, se encaixando em algum determinado grupo ou tribo e criando sua própria moda. Tudo de acordo com o que você consome em termos de cultura. Os jeans e as camisetas são emblemas de uma noção de liberdade que se confirmou como uma referência de moda na ultima década. É o que Baudrillard (Beaudrillard. Jean 1990 – La transparence du mal) chama de “transexual”. Um gênero que não precisa de sexo e sim de um toque especial para ser seu. Então, já que vivemos numa sociedade capitalista e que necessita do consumo, os estilistas trabalham para captar o que há de mais variado e transformar em roupa ou acessórios. A partir daí, você inventa a sua moda.

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